segunda-feira, 15 de junho de 2009


Terceiro mandato: um natimorto em Plenário

O deputado Jackson Barreto (PMDB-SE) já teve seus merecidos 15 minutos de fama ao apresentar a Proposta de Emenda Constitucional que permite o terceiro mandato consecutivo para ocupantes de cargos eletivos do Executivo. Uma emenda feita para uso e principalmente abuso do presidente Lula.

Na semana passada, o deputado desfilou com pompa e circunstância ao lado do presidente, que visitou sua terra natal.

Barreto fez o que nenhum petista ousou oficializar, mas seu movimento, além de lhe dar fama por 15 minutos, lhe reservará um lugar na história como o parlamentar que levou para o Plenário um projeto natimorto.

Por mais que a emenda do terceiro mandato cause frisson em petistas, pemedebistas e aliados de todo naipe, pois lhes garantiria mais quatro anos com o queijo e a faca na mão - e quantos queijobrás há para serem compartilhados pela companheirada? quantos? - ela não tem tempo hábil para entrar em vigor a ponto de salvar a ambição da vasta nação de pelegos da corte.

Setembro bate às portas e nem com reza brava, mensalão e qualquer outro aceno do Planalto o Congresso se mobilizará para aprová-la. Setembro é o prazo final para que a emenda possa vigorar na eleição do ano que vem, como determina a legislação eleitoral.

Assim, para que temer um morto-vivo, a emenda do terceiro mandato?

O óbvio (u)lulante

O presidente Lula disse, em Genebra (por favor, senhor presidente, não chame esta cidade de Gim Tônica), que as manifestações no Irã são "uma demonstração de quem perdeu".

Duas conclusões a ser tirar desta frase histórica.

Primeiro. O presidente disse o óbvio (u)lulante, já que quem venceu jamais protesta por ter vencido.

Segundo. A comunidade internacional observa com ressalva o resultado das urnas. Mahmoud Ahmadinejad proclama ter sido reeleito com mais de 60% dos votos, mas seu adversário Mir Hossein Moussavi denuncia que o resultado foi fraudado. Por isso uma multidão ocupa as ruas desde o final de semana e hoje um manifestante foi morto.

"Ele recebeu mais de 60% dos votos. Isso é algo expressivo", afirmou Lula.

O presidente brasileiro se precipitou e já reconhece o resultado das urnas. Mas o chefão de verdade do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, ordenou um perícia nas urnas.

O que fará o governo brasileiro se a investigação comprovar a fraude (o que duvido que ocorra, não a fraude, mas as autoridades do Irã reconhecerem sua eventual ocorrência, pois Ahmadinejad é o homem que garante a continuidasde do regime)?

O Irá enfrenta sua maior convulsão social em 30 dias. A de 1979 acabou com o regime do xá Reza Pahlev e instituiu o regime dos aitolás.

CPI da Petrobras: vai ou continua atolada?

Apesar de seus 11 titulares e 7 suplentes estarem escolhidos há 15 dias, a CPI da Petrobras já foi adiada por três vezes.

Será que esta semana ela desencalha?

O PT e o PMDB já não têm mais argumento para barrar a instalação dos trabalhos. Tiveram tempo de sobra para definir o relator e o presidente da comissão, e a partir de agora o adiamento somente irá contribuir para aumentar as suspeitas de que o governo teme que a investigação atinja personagens do alto, intermediário e baixo escalão.

Uma MP contra a Amazônia

Pela gravidade e abrangência do tema, publico alerta do Movimento Água da Nossa Gente:


Está nas mãos do presidente Lula para que ele dê a assinatura definitiva uma Medida Provisória que pode ser determinante para o futuro da Amazônia. Lula pode vetar as partes mais criticadas ou aprovar integralmente a MP, o que seria, na visão de um analista com a experiência política de Janio de Freitas, “como o primeiro grande passo legal para o futuro confronto de iniciativa internacional, e talvez bélica, contra o Brasil”.

O teor da chamada MP da Amazônia, que nasceu no Palácio do Planalto, recebendo depois suspeitas alterações no Congresso Nacional, justifica o temor do veterano jornalista da Folha de S. Paulo. A sanção presidencial pode muito bem ser recebida como um sinal de apoio à destruição de uma floresta que é vista de forma unânime pela comunidade internacional como um território a ser preservado.

Já é bastante estranho que para tratar de uma questão que merecia um debate profundo envolvendo toda sociedade civil o governo tenha usado uma Medida Provisória, instrumento que é alvo de críticas até do Congresso Nacional. Desta vez, no entanto, a classe política não mostrou desacordo.

A medida, também conhecida como “MP da Grilagem”, foi enviada por Lula à Câmara Federal, onde sofreu alterações e seguiu para a apreciação do Senado, onde teve rápida aprovação com a manutenção integral do texto emendado pelos deputados.

O projeto teve como relatora a senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e integrante da bancada ruralista no Congresso, que teve sua nomeação para a relatoria colocada sob suspeita por ambientalistas, que alegaram conflito de interesses em vista do teor da matéria.

A senadora, de fato, não tem mostrado isenção nos assuntos ruralistas, mesmo quando referentes ao horror do trabalho escravo. Em recente debate no Senado sobre o assunto ela chegou a afirmar que “o que pode ser degradante para um trabalhador do Nordeste pode não ser degradante para um trabalhador do Sul.”

A MP da Amazônia nasceu com a justificativa de regularizar as ocupações feitas por pequenos agricultores, mas o resultado final permite a doação e a venda de áreas imensas, muitas delas provavelmente ocupadas de forma criminosa.

A MP permite a regularização de áreas de até 1.500 hectares em terras ocupadas antes de 2004, beneficiando pessoas físicas e jurídicas que exerçam a exploração direta ou indireta dessas terras.

Na origem, as terras legalizadas só poderiam ser vendidas dez anos depois da titulação. Os deputados diminuíram o prazo para apenas três anos. A senadora Marina Silva PT-AC), ex-ministra do Meio Ambiente, apresentou um destaque com a volta da obrigatoriedade de dez anos. Outro destaque da ex-ministra impedia que fosse beneficiada a ocupação indireta. Ambos foram rejeitados.

A proposta permite a venda da terra três anos depois de tituladas, coincidente com o início do pagamento de terras com extensões de até 1.500 hectares e que podem ser parceladas em até 20 anos. Ao todo, a medida abrange 67 milhões de hectares, no que é visto como uma das maiores privatizações de terras públicas já acontecidas no país.

Segundo o jornalista Janio de Freitas, a área abrangida pela MP “já foi comparada ao tamanho do Paraná”. Marina Silva, que conhece de perto o drama das ocupações de terras em áreas cobertas de florestas, disse que o texto abre brechas para que "aqueles que cometeram o crime de apropriação de terras públicas sejam anistiados e confundidos com posseiros de boa fé".

A ex-ministra, fundadora do PT e aliada histórica de Lula, disse em entrevista à revista Época desta semana que a MP “foi a pior iniciativa do governo Lula até hoje”. Marina Silva foi ministra do Meio Ambiente desde o início do primeiro mandato de Lula até maio do ano passado, quando pediu demissão depois de uma clara derrota na definição dos rumos da política ambiental do governo.

Desde que a MP da Amazônia começou a sofrer alterações na Câmara, a senadora e ex-ministra vem dizendo que iria pedir ao presidente Lula que ele vete os artigos que permitem a utilização indevida de terras públicas. Tomara que Lula a ouça pelo menos desta vez. Ou os problemas da Amazônia, que já não são poucos, terão mais este agravamento.



Movimento Água da Nossa Gente