terça-feira, 12 de maio de 2009
Votos de melhora a Carli Filho
O deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho (PSB) contraria o prognóstico inicial e se recupera no Hospital Albert Einstin, em São Paulo. Recobrou a consciência, segundo boletim do hospital divulgado ontem. Enfrentará complexas cirurgias para recompor os ossos faciais.
Desejo a mais rápida e completa recuperação ao jovem deputado. Para que ele pague pelo que fez tirando a vida de dois rapazes mais jovens do que ele.
E comece o pagamento renunciando ao mandato, que não mais tem condição moral de cumprir.
Desejo a mais rápida e completa recuperação ao jovem deputado. Para que ele pague pelo que fez tirando a vida de dois rapazes mais jovens do que ele.
E comece o pagamento renunciando ao mandato, que não mais tem condição moral de cumprir.
Sérgio Moraes, o deputado da vez
Sérgio Moraes (PTB-RS) é o deputado federal da vez no processo de exposição de atos e pensamentos de nossos parlamentares.
Ele está na crista da onda por ter dito que "pouco se lixava" do que pensaria a opinião pública sobre o parecer que preparava sobre a acusação que pesa sobre seu ex-companheiro Edmar Mendes, acusado de sonegar a posse de um castelo. É claro que seu parecer seria brando, coisa de amigo do peito, que, afinal, é para essas horas que existem.
A frase emblemática desviou a atenção - e indignação (?) - da opinião pública sobre a farra das passgens aéreas e, assim, todo Congresso deve estar profundamente agradecido a ele.
Moraes perdeu a relatoria e, até que novo escândalo surja - poderá estar surgindo neste momento - colherá os louros da glória, por mais inglória que seja.
A opinião pública se sente agredida (ou seria a impressa que pensa que a opinião pública tem esse sentimento?) toda vez que defronta situação similar. Indigna-se - ou finge que - mas Moaes, Mendes & quetais são resultado de uma sociedade que protesta hoje, mas os perdoa e os elege amanhã.
O mensalão é a prova contundente dessa afirmação - todos os envolvidos foram reeleitos. Todos!
Os Ademar de Barros de hoje, que, sob o falso ou verdadeiro conceito de que fazem apesar de roubar, ou aqueles que se fingem de vestais apesar da fartura de processos criminais a que respondem, esses têm o caminho aberto rumo aos cofres públicos.
As urnas transformaram-se em tribunais de absolvição desses corruptos.
Bem feito para nós, cara-pálidas!
Ele está na crista da onda por ter dito que "pouco se lixava" do que pensaria a opinião pública sobre o parecer que preparava sobre a acusação que pesa sobre seu ex-companheiro Edmar Mendes, acusado de sonegar a posse de um castelo. É claro que seu parecer seria brando, coisa de amigo do peito, que, afinal, é para essas horas que existem.
A frase emblemática desviou a atenção - e indignação (?) - da opinião pública sobre a farra das passgens aéreas e, assim, todo Congresso deve estar profundamente agradecido a ele.
Moraes perdeu a relatoria e, até que novo escândalo surja - poderá estar surgindo neste momento - colherá os louros da glória, por mais inglória que seja.
A opinião pública se sente agredida (ou seria a impressa que pensa que a opinião pública tem esse sentimento?) toda vez que defronta situação similar. Indigna-se - ou finge que - mas Moaes, Mendes & quetais são resultado de uma sociedade que protesta hoje, mas os perdoa e os elege amanhã.
O mensalão é a prova contundente dessa afirmação - todos os envolvidos foram reeleitos. Todos!
Os Ademar de Barros de hoje, que, sob o falso ou verdadeiro conceito de que fazem apesar de roubar, ou aqueles que se fingem de vestais apesar da fartura de processos criminais a que respondem, esses têm o caminho aberto rumo aos cofres públicos.
As urnas transformaram-se em tribunais de absolvição desses corruptos.
Bem feito para nós, cara-pálidas!
Script de um reajuste de tarifas
"A data-base para revisão de salários de motoristas e cobradores de ônibus, dia 1º de julho, virou argumento em favor das empresas de transporte coletivo de Londrina, que estão em “campanha” pelo reajuste da tarifa, que hoje é de R$ 2". A informação é do "Jornal de Londrina" de hoje.
Lembremos os fatos: o prefeito Nedson Micheleti (requiescat in pace) teve como último ato de seu glorioso governo o aumento das tarifas de ônibus urbano, de R$ 2 para R$ 2,12 e R$ 2,25, de acordo com a forma de pagamento (em cartão comprado antecipadamente e na roleta, pago na hora do embarque, respectivamente).
Pois bem, aí começou a nova legislatura e o vereador Joel Garcia (PDT) bateu o pé, o prefeito interino José Roque (PTB) revogou o decreto do Nedson e o mesmo Garcia exigiu a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito - instalada ao gosto do cliente.
Ato número 5: Barbosa Neto, ao ser diplomado prefeito, anunciou - e este foi o seu primeiro anúncio - que aumentaria a passagem do ônibus, já que as empresas precisam lucrar para viver (as palavras foram outras, mas o conteúdo é este).
Ato número 6: o diretor de uma empresa depõe na Câmara e, no mesmo dia, o de outra empresa diz que, mesmo que o prefeito autorize os preços anunciados no final da administração Micheleti, não daria para cobrir as despesas. "Os preços estão defasados", diz. E, também no mesmo dia, os funcionários das empresas entram em cena para dizer que, se não houver reajuste da tarifa, ó coitados, vão ficar sem reajuste dos salários (eles merecem o reajuste, não há o que discutir).
Tá tudo dominado e segue com rigor o script: Barbosa Neto vai anunciar nos próximos dias o reajuste das tarifas, em índice igual ou levemente inferior ao autorizado por Nedson, alegando que não pode atender à reivindicação das empresas em sua integralidade porque em primeiro lugar está o interesse do povo e não do capitalismo. Os donos ou diretores das empresas vão encenar decepção, Joel Garcia - agora líder do governo na Câmara e portador-mor do mico da CEI - fingirá indignação, os funcionários das empresas exclamarão "ufa" e ponto final. Etapa vencida. No ano que vem, outro script, produçãoi, por favor.
Lembremos os fatos: o prefeito Nedson Micheleti (requiescat in pace) teve como último ato de seu glorioso governo o aumento das tarifas de ônibus urbano, de R$ 2 para R$ 2,12 e R$ 2,25, de acordo com a forma de pagamento (em cartão comprado antecipadamente e na roleta, pago na hora do embarque, respectivamente).
Pois bem, aí começou a nova legislatura e o vereador Joel Garcia (PDT) bateu o pé, o prefeito interino José Roque (PTB) revogou o decreto do Nedson e o mesmo Garcia exigiu a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito - instalada ao gosto do cliente.
Ato número 5: Barbosa Neto, ao ser diplomado prefeito, anunciou - e este foi o seu primeiro anúncio - que aumentaria a passagem do ônibus, já que as empresas precisam lucrar para viver (as palavras foram outras, mas o conteúdo é este).
Ato número 6: o diretor de uma empresa depõe na Câmara e, no mesmo dia, o de outra empresa diz que, mesmo que o prefeito autorize os preços anunciados no final da administração Micheleti, não daria para cobrir as despesas. "Os preços estão defasados", diz. E, também no mesmo dia, os funcionários das empresas entram em cena para dizer que, se não houver reajuste da tarifa, ó coitados, vão ficar sem reajuste dos salários (eles merecem o reajuste, não há o que discutir).
Tá tudo dominado e segue com rigor o script: Barbosa Neto vai anunciar nos próximos dias o reajuste das tarifas, em índice igual ou levemente inferior ao autorizado por Nedson, alegando que não pode atender à reivindicação das empresas em sua integralidade porque em primeiro lugar está o interesse do povo e não do capitalismo. Os donos ou diretores das empresas vão encenar decepção, Joel Garcia - agora líder do governo na Câmara e portador-mor do mico da CEI - fingirá indignação, os funcionários das empresas exclamarão "ufa" e ponto final. Etapa vencida. No ano que vem, outro script, produçãoi, por favor.
O atestado de culpa do PT
Editorial do "Estadão" de hoje:
Informado de que não deveria aparecer na casa petista enquanto os vizinhos estivessem olhando - ou seja, não antes de consumada a sucessão de 2010, para não reavivar na memória do eleitorado o vexame do mensalão, de que ele foi protagonista central -, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, processado por corrupção ativa e formação de quadrilha, tomou uma decisão dolorosa. No fim da semana passada, ele desistiu de pedir a reintegração no partido que o expulsara em 2005, numa tentativa de persuadir a opinião pública de que a compra sistemática de apoios ao presidente Lula no Congresso Nacional foi apenas um "erro" cometido por uma minoria de companheiros que se desgarraram da proclamada ética da legenda.
Mas, ao se render aos fatos - a começar do veto de Lula à pretendida anistia, por "inoportuna" -, Delúbio protagonizou o seu melhor momento. A léguas de distância da imagem ronceira que exibiu quando contou à CPI do Mensalão que dinheiro do publicitário Marcos Valério serviu para pagar despesas da campanha de Lula em 2002, o rejeitado militante fez um discurso memorável ao Diretório Nacional do partido com o qual se vangloria de ter uma identidade inquebrantável. Ele de fato se mostrou um petista de corpo inteiro. "Começaria tudo outra vez, se preciso fosse", assegurou com uma franqueza inoportuna, diria Lula.
Rigorosamente fiel à interpretação lulista do ilícito conexo com o crime continuado do suborno de deputados federais - o caixa 2, disse o presidente numa famosa entrevista em Paris, é algo feito sistematicamente pelos políticos -, Delúbio perguntou à companheirada: "Do que me acusam? Quantos são os políticos brasileiros que realizaram campanhas eleitorais sem que alguma soma, por menor que fosse, não tenha sido contabilizada?" Foi aplaudido. A essa altura, nem a companheirada que o ouvia, muito menos ele próprio, se lembraria dos velhos tempos em que o petismo desfilava perante o País a sua pretensa singularidade ética, o seu repúdio cabal a todas as formas de corrupção política.
Ainda assim, ouvidos sensíveis hão de ter registrado com desconforto outra afirmação, mais contundente, do ex-apparatchik que compartilha com Lula a duvidosa distinção de ter dado um novo significado à palavra pragmatismo no léxico político da esquerda nacional. Passando ao partido um atestado de culpa que evoca as palavras do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, sobre a "sofisticada organização criminosa" que produziu o mensalão para se perpetuar no poder, Delúbio abriu o jogo. "Não fui um alegre, um néscio, um ingênuo", afirmou, com endereço certo. "Aceitei os riscos da luta. Mas não fui se não, em todos os instantes, sem exceção, fiel cumpridor das tarefas que me destinou o PT."
A mensagem faz lembrar também o que dizia o ex-ministro José Dirceu, apontado pelo procurador-geral como "chefe do organograma delituoso" do mensalão. Ele assegurava que nada fazia à revelia do presidente Lula e tudo o que fazia era por orientação do chefe. Outro atestado o PT passou a si próprio. A legenda bateu a porta na cara do seu denodado cumpridor de tarefas não por entender que ele, depois do que fez, não merece reaver a carteirinha de que foi despojado, mas pelo mais crasso oportunismo. Impedido de romper de vez com o parceiro do publicitário Marcos Valério e não ousando anular a sua expulsão, o partido o fez saber que agora não era a hora de pleitear a readmissão (para o ex-tesoureiro poder se candidatar a deputado federal). Já em 2011, tudo bem.
Em matéria de oportunismo, porém, o PT é um aprendiz perto do seu líder máximo. O que ele anda fazendo para conseguir que o PMDB feche com a candidatura Dilma Rousseff é um espetáculo constrangedor de desdém por seu próprio partido. Ciente de que o PT de há muito se tornou o maleável instrumento de seus interesses, o presidente o manipula como bem entende. Impôs-lhe uma candidata sem tradição partidária e agora ordena que faça o que for preciso nos Estados para abrir caminho às ambições regionais do PMDB. Como interlocutor, Michel Temer, o presidente peemedebista, é incomparavelmente mais importante para Lula do que o petista Ricardo Berzoini, por exemplo. Mas, depois de tudo o que fez, despudoradamente, para se agarrar ao poder, que moral teria agora o PT para se queixar?
Informado de que não deveria aparecer na casa petista enquanto os vizinhos estivessem olhando - ou seja, não antes de consumada a sucessão de 2010, para não reavivar na memória do eleitorado o vexame do mensalão, de que ele foi protagonista central -, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, processado por corrupção ativa e formação de quadrilha, tomou uma decisão dolorosa. No fim da semana passada, ele desistiu de pedir a reintegração no partido que o expulsara em 2005, numa tentativa de persuadir a opinião pública de que a compra sistemática de apoios ao presidente Lula no Congresso Nacional foi apenas um "erro" cometido por uma minoria de companheiros que se desgarraram da proclamada ética da legenda.
Mas, ao se render aos fatos - a começar do veto de Lula à pretendida anistia, por "inoportuna" -, Delúbio protagonizou o seu melhor momento. A léguas de distância da imagem ronceira que exibiu quando contou à CPI do Mensalão que dinheiro do publicitário Marcos Valério serviu para pagar despesas da campanha de Lula em 2002, o rejeitado militante fez um discurso memorável ao Diretório Nacional do partido com o qual se vangloria de ter uma identidade inquebrantável. Ele de fato se mostrou um petista de corpo inteiro. "Começaria tudo outra vez, se preciso fosse", assegurou com uma franqueza inoportuna, diria Lula.
Rigorosamente fiel à interpretação lulista do ilícito conexo com o crime continuado do suborno de deputados federais - o caixa 2, disse o presidente numa famosa entrevista em Paris, é algo feito sistematicamente pelos políticos -, Delúbio perguntou à companheirada: "Do que me acusam? Quantos são os políticos brasileiros que realizaram campanhas eleitorais sem que alguma soma, por menor que fosse, não tenha sido contabilizada?" Foi aplaudido. A essa altura, nem a companheirada que o ouvia, muito menos ele próprio, se lembraria dos velhos tempos em que o petismo desfilava perante o País a sua pretensa singularidade ética, o seu repúdio cabal a todas as formas de corrupção política.
Ainda assim, ouvidos sensíveis hão de ter registrado com desconforto outra afirmação, mais contundente, do ex-apparatchik que compartilha com Lula a duvidosa distinção de ter dado um novo significado à palavra pragmatismo no léxico político da esquerda nacional. Passando ao partido um atestado de culpa que evoca as palavras do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, sobre a "sofisticada organização criminosa" que produziu o mensalão para se perpetuar no poder, Delúbio abriu o jogo. "Não fui um alegre, um néscio, um ingênuo", afirmou, com endereço certo. "Aceitei os riscos da luta. Mas não fui se não, em todos os instantes, sem exceção, fiel cumpridor das tarefas que me destinou o PT."
A mensagem faz lembrar também o que dizia o ex-ministro José Dirceu, apontado pelo procurador-geral como "chefe do organograma delituoso" do mensalão. Ele assegurava que nada fazia à revelia do presidente Lula e tudo o que fazia era por orientação do chefe. Outro atestado o PT passou a si próprio. A legenda bateu a porta na cara do seu denodado cumpridor de tarefas não por entender que ele, depois do que fez, não merece reaver a carteirinha de que foi despojado, mas pelo mais crasso oportunismo. Impedido de romper de vez com o parceiro do publicitário Marcos Valério e não ousando anular a sua expulsão, o partido o fez saber que agora não era a hora de pleitear a readmissão (para o ex-tesoureiro poder se candidatar a deputado federal). Já em 2011, tudo bem.
Em matéria de oportunismo, porém, o PT é um aprendiz perto do seu líder máximo. O que ele anda fazendo para conseguir que o PMDB feche com a candidatura Dilma Rousseff é um espetáculo constrangedor de desdém por seu próprio partido. Ciente de que o PT de há muito se tornou o maleável instrumento de seus interesses, o presidente o manipula como bem entende. Impôs-lhe uma candidata sem tradição partidária e agora ordena que faça o que for preciso nos Estados para abrir caminho às ambições regionais do PMDB. Como interlocutor, Michel Temer, o presidente peemedebista, é incomparavelmente mais importante para Lula do que o petista Ricardo Berzoini, por exemplo. Mas, depois de tudo o que fez, despudoradamente, para se agarrar ao poder, que moral teria agora o PT para se queixar?
Assinar:
Postagens (Atom)