
O Ministério Público denunciou nove vereadores e ex-vereadores de Londrina, acusando-os de cobrarem propina para atender a uma necessidade da boate Shirogohan (leia-se puteiro de luxo) de legalizar o trepa-trepa construído ao lado do estabelecimento.
Registrado como hotel, o vamo-vê teria que ser reconhecido como motel para evitar a ação dos “meganhas” – fiscais e policiais, mordedores de toda ordem, enfim - que sempre iam lá em busca de suas comissõezinhas. Só que motel não poderia funcionar naquele local, próximo a bairros residenciais...
Para livrar o “empresário” dos mordedores, os vereadores encontraram a solução: mudaram a lei (às favas a lei) e o morderam em R$ 15 mil.
Tratei desse assunto ontem, mas volto ao tema porque, além de sua gravidade, é espalhafatoso. Seria cômico se não fosse trágico, ou o contrário, o que dá no mesmo.
Pois, além dos nove vereadores e ex, o caso envolve, na condição de “testemunhas”, o prefeito, o secretário de Governo e um delegado da Polícia Federal.
Segundo o MP, o delegado apresentou o dono da boate ao secretário, que levou o assunto à Câmara, aí entrando em cena o líder do prefeito na Casa que, para não deixar suas digitais, pegou a assinatura, na condição de autor da proposta, de um pastor-vereador.
E o prefeito entra no final feliz da história porque, sem saber de nada, nadica de nada (embora tenha sancionado a lei), participou do churrasco que o cafetão promoveu em agradecimento.
A isso se soma que o secretário de governo é um oficial da Polícia Militar aposentado e o prefeito um candidato a padre – que nem precisará se preocupar com a amante, porque o “Bem-amado’ já a admite publicamente – e temos um enredo digno de Sucupira e seu prefeito Odorico Shirogohan Paraguaçu, sem, no entanto, a capacidade de escandalizar Dorotéia, Judicéia e Dulcinéia, as irmãs e beatas Cajazeiras.
Para azar de todos, o Zeca Diabo do Ministério Público entrou em cena...
(na foto, temos Odorico à esquerda e Zeca Diabo à direita. Na vida real, quem dá de dedo é o MP)

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