sábado, 22 de novembro de 2014

JBS compra a Big Frango por R$ 430 milhões

A empresa JBS, maior produtora global de carnes, anunciou ontem a compra do frigorífico paranaense Big Frango por R$ 430 milhões e do grupo Primo Smallgoods, da Austrália, por US$ 1,25 bilhão, dando impulso ao seu plano de expansão por meio de aquisições. Controlado pela AMSE02 Participações, o Big Frango abate 460 mil aves por dia em suas duas unidades, com faturamento anual superando R$ 1 bilhão. Segundo JBS, o valor da transação será pago no fechamento da operação, que ocorrerá após o cumprimento da condição suspensiva de aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A informação é da Gazeta do Povo


Com a investida, a JBS dá sequência ao plano de ganhar musculatura no segmento, estratégia que foi reforçada este ano com a aquisição dos negócios de aves da norte-americana Tyson Foods no Brasil e no México por US$ 575 milhões, além da compra da indústria de alimentos paranaense Avebom e de duas unidades de processamento de aves do grupo Céu Azul.


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Vaccari Neto, a peça-chave do PeTrolão

O tesoureiro do PT, João Vaccari, está na mira da Operação Lava Jato. Seu envolvimento no petrolão assusta o PT e o governo

Época

Desde 2005, quando eclodiu o escândalo do mensalão, uma palavra é capaz de tirar o sono dos militantes do PT: tesoureiro. Foi a ligação entre o responsável pelas finanças do partido, Delúbio Soares, e o empresário Marcos Valério que levou à ruína de líderes históricos do PT, como José Dirceu e José Genoino. “Presidente, o Delúbio vai botar uma dinamite na sua cadeira”, afirmou o ex-deputado federal Roberto Jefferson, em junho de 2005, ao relatar uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva meses antes. O desfecho do mensalão é conhecido. Dirceu, Genoino, João Paulo Cunha e o próprio Delúbio acabaram condenados e presos. Lula enfrentou sua maior crise política, e seu mandato ficou sob risco. Transcorridos nove anos, o rastilho de pólvora do petrolão, o escândalo de corrupção na Petrobras, ameaça chegar até o Palácio do Planalto. A dinamite agora atende pelo nome de João Vaccari Neto, sucessor de Delúbio na Tesouraria do PT.

Nos últimos dias, o nome de Vaccari ressurgiu com força nas investigações sobre o petrolão. Mesmo diante da cautela com que o juiz federal Sergio Moro vem conduzindo as apurações da Operação Lava Jato, a quantidade de citações a Vaccari e as evidências que o ligam ao esquema sugerem que ele, mesmo sem ter sido indiciado pela Polícia Federal, será um dos próximos alvos da operação.

Sem compromisso com a cautela que rege o bom processo judicial, a CPI mista da Petrobras, no Congresso Nacional, quebrou os sigilos bancário, fiscal e telefônico de Vaccari, numa vitória da oposição. “Como o tempo da Justiça é outro, a CPI tem a função de investigá-lo, porque Vaccari é o elo direto do esquema com o PT”, afirma o senador José Agripino (DEM-RN), um dos líderes da oposição no Congresso. Assim como Delúbio cuidou das contas da campanha de Lula em 2002, Vaccari atuou nas finanças das campanhas de Dilma, em 2010 e neste ano. A quebra de seu sigilo preocupou o Palácio do Planalto.



Delator do mensalão orientou Dilma e Lula a enfrentar o TCU

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa – um dos delatores do PeTrolão – orientou Dilma Rousseff, então chefe da Casa Civil, e o presidente Lula, em setembro de 2009, a como enfrentar o TCU, que recomendava a paralisação das mais importantes obras da estatal – entre outras do PAC.

O TCU havia detectado superfaturamento, comprovado pela Operação Lava Jato.

Pois não é que Lula e Dilma, auxiliados pelo então ministro do Planejamento Paulo Bernardo, seguiram fielmente o roteiro de Costa? Para isso, foi necessário atropelar decisão do Congresso, que vetara a liberação de recursos para essas obras.

Este é o tema da reportagem de capa da Veja desta semana, que se baseia em e-mail enviado por Costa a Dilma.

A informação confirma a denúncia, feita pelo doleiro Alberto Youssef – que foi capa da Veja às vésperas do segundo turno -, de que Lula e Dilma sabiam do megaesquema de corrupção montado na Petrobras para irrigar as finanças do PT e seus cúmplices no Congresso.


E nem precisava: o TCU já os havia advertido.

Barbóquio terá que indenizar major aposentado

O ex-prefeito cassado de Londrina, Homero Barbosa Neto – o Barbóquio (vade retro) – teve duas notícias relevantes esta semana vinda do Tribunal de Justiça.

Uma boa, outra má.

A boa: o tribunal considerou inconstitucionais as leis a que a Câmara recorreu para cassá-lo, em 30 de julho de 2012. Ele foi acusado – e a acusação foi comprovada - de pagar com dinheiro público vigilantes para a rádio de sua propriedade.

A decisão do TJ preserva, no entanto, a cassação, mas permite que Barbóquio dê prosseguimento à sua cruzada para reaver os direitos políticos e, quem sabe, ser indenizado pelos meses que ficou sem receber salário.

Enquanto faz as contas do quanto poderá reaver, Barbóquio terá que se virar nos 30 para indenizar o major aposentado, ex-vereador e ex-secretário de Governo Adalberto Pereira da Silva.

Esta é a notícia má (para ele, Barbóquio).

O TJ manteve sentença que determina a Barbóquio e à sua rádio, a Brasil Sul, pagar R$ 40 mil (mais juros, correção, etc.) a Adalberto como indenização por danos morais.

O busílis é o seguinte: Barbóquio vilipendiou a reputação de Adalberto, em declaração transmitidas por sua rádio, porque o major aposentado havia criticado a instalação da Guarda Municipal.

Adalberto disse que a Guarda teria pouca serventia além de representar o cumprimento de uma promessa de campanha de Barbóquio.

A resposta do prefeito foi uma coleção de desvarios: “O senhor tem as mãos, sujas, a alma suja (...) fica enchendo o rabo de cachaça o dia inteiro (...) vai trabalhar, vagabundo”.

Comentários, aliás, dignos de um Barbóquio, que falou o que quis. E agora terá de pagar o que não quer.


PeTrolão abasteceu "caixa 1" das campanhas de PT, PMDB, PP e PTB

Delegados e procuradores da operação Lava Jato concluem que os partidos foram usados como lavanderias do esquema de corrupção instalado na Petrobras e farão uma devassa na prestação de contas da campanha eleitoral


Istoé

Não é novidade que recursos públicos surrupiados por intermédio de obras superfaturadas, empresas de fachada e outras modalidades de corrupção acabem abastecendo o chamado caixa 2 das campanhas políticas. Essa é uma prática condenável e recorrente no Brasil. Agora, o que a Operação Lava Jato descobriu é que PT, PMDB, PP e PTB usaram a contabilidade oficial, o caixa 1 das campanhas eleitorais, para receber milhões de reais desviados da Petrobras. Para chegar a essa conclusão, os delegados e procuradores que participam das investigações tomaram conhecimento de centenas de movimentações bancárias no Brasil e no exterior, analisaram documentos que veem sendo apreendidos desde março e ouviram os depoimentos de empreiteiros, ex-diretores e ex-funcionários da estatal.


“Estamos diante de um crime gravíssimo, que transforma os partidos políticos em autênticas lavanderias de dinheiro ilegal”, disse à ISTOÉ, na tarde da terça-feira 18, uma das autoridades com acesso a toda investigação. “A situação (investigação) coloca em xeque inclusive as doações eleitorais legalmente registradas, que podem indicar uma forma estruturada de lavagem de dinheiro”, atesta um relatório analítico da Polícia Federal, elaborado pela Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros ao qual ISTOÉ teve acesso. Com essa descoberta, a Operação Lava Jato irá abrir mais uma frente de investigação e promover uma devassa nos cofres dos partidos envolvidos. É essa futura investigação a responsável por elevar às alturas a temperatura no Palácio do Planalto e no comando dos partidos aliados na última semana.

Petistas se insurgem contra escolha de Levy

Paionel - Folha de S.Paulo

A proximidade de Joaquim Levy com Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central sob Fernando Henrique Cardos —e anunciado por Aécio Neves (PSDB) para a Fazenda caso fosse eleito—, é o principal trunfo do grupo do governo e do PT que quer reverter a ida do executivo para o lugar de Guido Mantega. Aliados de Aloizio Mercadante (Casa Civil), que prefere Alexandre Tombini no comando da economia, passaram a compilar artigos de Levy contra a política econômica.

Cabelos… No momento em que o convite de Dilma a Joaquim Levy vazou, ontem, acontecia uma reunião de economistas e intelectuais do PT, em São Paulo.


… em pé Imediatamente começou o bombardeio ao nome, considerado muito pró-mercado. O mais indignado era Luiz Gonzaga Belluzo, do grupo da Unicamp.

Analistas temem conflitos entre Levy e Barbosa

Levy e Barbosa
Folha de S.Paulo

O vazamento dos nomes dos prováveis integrantes da nova equipe econômica deu largada a especulações sobre como deverá ser o relacionamento entre Joaquim Levy e Nelson Barbosa no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.

Mesmo sem a confirmação oficial, analistas avaliam como positiva a indicação de Levy para a Fazenda, mas temem pelo seu pouco traquejo político em um momento de dificuldades na economia.

Ex-secretário do Tesouro no primeiro governo Lula, Levy é reconhecido por praticar políticas de austeridade no setor público.

Na sua gestão, o governo federal fez o maior esforço fiscal desde o início do tripé macroeconômico, em 1999.

Ele também comandou a Secretaria de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro antes de ir para a gestora do Bradesco. No Estado, reverteu deficit orçamentários e levou o Rio ao grau de investimento em 2010.

Pessoas próximas a ele afirmam que, "com certeza", Levy vai buscar o superavit nas contas do governo federal, hoje deficitárias.

E ainda vai encerrar a fase de "contabilidade criativa" do governo, que são manobras para despistar a piora das contas do governo.

Por outro lado, observam que Levy tem pouca habilidade política e que, por isso, pode sofrer com o "fogo amigo" dos petistas.

Outra pessoa próxima do economista classifica Levy como "trator" e que deverá implementar o que considera que é certo sem avaliar possíveis danos políticos.

Esse comportamento pode colocá-lo em choque com Nelson Barbosa, que tem formação mais desenvolvimentista e, por isso, é mais próximo de Dilma.

"A sensação é de que haverá um conflito constante nos bastidores", diz a fonte, que preferiu manter-se em sigilo até que os nomes sejam confirmados.

Se Levy for confirmado, deverá ser o único liberal na equipe econômica de Dilma.

É um cenário diferente do que enfrentou quando esteve no governo Lula. Naquela época, ele trabalhou com Murilo Portugal (atualmente presidente da Febraban), Marcos Lisboa (hoje no Insper) e Bernard Appy, além de Henrique Meirelles no comando do Banco Central. Todos são economistas com formação mais próxima à sua.

Isso pode afetar a capacidade de Levy de levar a cabo as medidas de austeridade. Para conseguir colocá-las em prática, como fez no Rio, será necessário que Dilma encampe essas decisões, que podem ser politicamente duras e que afetam despesas de outras áreas do governo.


O jogo de cena na Fazenda

O Estado de S.Paulo

Ninguém com pelo menos dois neurônios funcionando pode ter-se surpreendido com o fato de o presidente do Bradesco, Luiz Trabuco, ter gentilmente recusado o convite de Dilma Rousseff para se tornar ministro da Fazenda. Trabuco compareceu ao Palácio da Alvorada acompanhado de Lázaro Brandão, o presidente do Conselho do banco, sabendo que estava apenas cumprindo o dever de cortesia que a situação impunha. Não estivesse a presidente reeleita trabalhando com uma lista espantosamente pequena de nomes cogitados para o cargo, seria o caso de afirmar que ela nunca teve a intenção de ter o presidente de um dos maiores bancos do País à frente do Ministério da Fazenda, e só chamou Trabuco a Brasília porque sabia que o convite não seria aceito. Seu objetivo era fazer publicamente um gesto de simpatia e "confiança" ao mercado.

O fato é que toda a movimentação do Palácio do Planalto em torno da escalação do Ministério do segundo mandato, em particular da pasta da Fazenda, demonstra que não se pode esperar, a partir do ano que vem, uma presidente da República diferente daquela que o País conheceu nos últimos quatro anos, à frente de uma administração comprovadamente incompetente: ideologicamente sectária e pessoalmente autoritária e intransigente. Dilma Rousseff é intervencionista por formação e militância e como tal nutre extrema desconfiança - se não completa aversão - pelo empreendedorismo privado.

Esse perfil é completado por um temperamento irascível, que se manifesta diante de qualquer contrariedade. Que o digam os auxiliares que com ela convivem, inclusive os ministros.

A renovação de um mandato presidencial não significa necessariamente a necessidade de reformulação do primeiro escalão do governo. Partindo do princípio de que não se mexe em time que está ganhando, a unanimemente reconhecida necessidade da escalação de novos auxiliares para cargos importantes como o de ministro da Fazenda revela apenas que a chefe do governo e seu criador sabem muito bem que nos últimos quatro anos quase tudo deu errado.

Essa questão foi colocada nas eleições de outubro e democraticamente resolvida nas urnas. Dilma Rousseff será a presidente de todos os brasileiros por mais quatro anos e como tal deve ser aceita e respeitada.

Resta, portanto, a cada um cumprir seu papel na discussão nacional sobre a formação do novo governo, emblematicamente simbolizada pelos entendimentos para a escolha do sucessor de Guido Mantega no Ministério da Fazenda. Um ministro que, aliás, tem todos os motivos para não estar nada satisfeito com o fato de que sempre fez rigorosamente tudo o que a chefe mandou e agora é descartado como se fosse o responsável único pelo mau desempenho da economia.

Se dependesse de Lula, que sempre exibiu poderosa intuição e forte sensibilidade política, a condução da economia voltaria a ser entregue a um ministro mais identificado com o mercado e capaz de recuperar a confiança dos empreendedores nacionais e dos investidores estrangeiros. Não há, afinal, outra maneira de o País voltar a crescer social e economicamente.

Dilma, porém, é teimosa. Jamais se disporá a abrir mão da prerrogativa de comandar ela própria a política econômica, o que significa que provavelmente o País continuará a ter mais do mesmo.

 Diante disso, é praticamente certo que o novo ministro da Fazenda - que não havia sido escolhido até o momento em que escrevíamos este editorial - será alguém disposto a colocar sua biografia a serviço dos desígnios de uma chefe de Estado obcecada pela ideia anacrônica de que o Estado é fim e não meio.


Receber convite para assumir a pasta da Fazenda sempre foi motivo de orgulho e honra para qualquer homem público. Hoje essa investidura parece estar restrita a quem estiver disposto a pagar o preço de - em troca de alguma notoriedade passageira - levar a culpa se as coisas não derem certo ou aplaudir a chefe na improbabilidade de ocorrer o contrário.

Técnicos alertaram para ‘consolidação de danos’ após veto de Lula

Ricardo Galhardo – O Estado de S.Paulo

Equipe do Congresso emitiu parecer sobre riscos três dias após o então presidente barrar suspensão de obras da Petrobrás em 2010
São Paulo - No dia 29 de janeiro de 2010, três dias depois de o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetar uma decisão do Congresso que determinava a suspensão de quatro obras da Petrobrás suspeitas de irregularidades, técnicos da Câmara e do Senado emitiram uma nota conjunta que alertava para a "consolidação de danos" na estatal caso o veto presidencial fosse mantido.

De acordo com os técnicos do Congresso, as justificativas apresentadas por Lula para vetar a suspensão das obras não mencionam em momento algum as irregularidades graves apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU). No veto, o então presidente se refere aos indícios de corrupção como "pendências".

Na época, os técnicos do Congresso já alertavam que a decisão de Lula de permitir a continuidade das obras, apesar dos graves indícios de irregularidades, poderia provocar prejuízos irreparáveis à estatal – o veto acabou mantido pelos congressistas.

Passados mais de quatro anos, as quatro obras liberadas pelo petista são citadas pelos envolvidos na Operação Lava Jato como fontes de recursos que alimentaram o esquema de corrupção na Petrobrás.

Graças à decisão de Lula, foram repassados mais de R$ 13 bilhões para as obras nas refinarias de Abreu e Lima (PE), Presidente Getúlio Vargas (Repar), Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e o complexo de Barra do Riacho (ES). O custo total dos empreendimentos é de mais de R$ 80 bilhões.

Em meados de 2009, o TCU alertou o governo sobre indícios de superfaturamento, pagamentos indevidos, obstrução dos trabalhos de fiscalização e omissão de documentos por parte da Petrobrás, nas quatro obras. Para o tribunal, os indícios eram suficientes para pedir a paralisação das obras. Meses depois, o Congresso acatou a recomendação e determinou ao governo, em um anexo da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2010, a suspensão dos repasses. Lula contrariou a determinação, vetou a decisão do Congresso e permitiu a continuidade das obras suspeitas.

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Levy: uma surpresa positiva e uma dúvida no ar

Miriam Leitão – O Globo

Durou pouco, o anúncio depois foi adiado. Mas enquanto durou elevou a bolsa em 5% e a Petrobras a 12%. Tudo isso foi efeito do nome do economista Joaquim Levy no Ministério da Fazenda. Levy está ligado ao grupo que executou a política mais sensata dos governos do PT. Foi secretário do Tesouro no primeiro governo Lula, quando o ministério era capitaneado por Antonio Palocci. Se for confirmado titular da pasta, um dos maiores desafios de Levy será superar a crise de credibilidade pela qual passa especialmente a secretaria que havia comandado, a do Tesouro, de onde saiu em 2006.

Levy tem uma carreira diversificada dentro do setor público. Antes do governo Lula, havia trabalhado na assessoria econômica do Ministério do Planejamento durante o mandato de FHC. Participou da negociação do acordo que resultou no empréstimo de US$ 30 bilhões feito pelo FMI, onde trabalhou por oito anos. Também foi secretário da Fazenda do estado do Rio de Janeiro no primeiro mandato de Sérgio Cabral. Hoje está na gestora Bradesco Asset Management.


O recuo do anúncio não surtiu o efeito de derrubar os ânimos. O mercado demanda otimismo, mesmo contra todas as evidências de que no mínimo uma andorinha só não faz verão. Isso se houver andorinha.

PT rejeita Kátia Abreu na Agricultura; PMDB escolhe Braga para Energia

A sexta-feira em Brasília foi de escolhedores de ministros e cortadores de cabeça. A presidente, Dilma Rousseff, escolheu sua nova amiga de infância, a senadora Kátia Abreu, para a Agricultura. Mas isso provocou uma reação forte da bancada do PT.

Kátia abreu representa o que há de mais velho do ruralismo. Hoje há setores do agronegócio que já se atualizaram em relação à questão ambiental e trabalhista. Nesse grupo do neorruralismo não está Kátia Abreu, ela é conhecida por suas posições extremadas. O PT não engoliu a indicação e foi um dos motivos que travou o anúncio que estava preparado para acontecer nesta sexta-feira.

No Ministério das Minas e Energia, o nome mais forte é Eduardo Braga, PMDB-AM. O PMDB quer ficar com a pasta, hoje ocupada por Edison Lobão, e indicou Braga. Segundo um analista, uma coisa se sabe de Eduardo Braga: “ele não aceitará ser a rainha da Inglaterra de Márcio Zimmermann, que é quem manda no Ministério”. Para os ambientalistas, Braga pode ser um grande incentivador dos projetos de hidrelétricas na Amazônia.

O escolhido para a Fazenda, Joaquim Levy, tem opositores no governo, mas a barragem que o PT está fazendo contra Kátia Abreu é mais forte. (Miriam Leitão)


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A marcha da insensatez

Elio Gaspari – O Globo

O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, também conhecido como "Kakay", é uma espécie de Sobral Pinto do andar de cima. "Doutor Sobral" era um homem frugal, sempre vestido de preto, defendendo causas de presos ferrados pelo poder dos governos. O espetaculoso "Kakay" é amigo dos reis e vive na Pasárgada de Brasília. Defendendo empreiteiras apanhadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, disse o seguinte: "Dentro da normalidade, você teria de declarar (as empresas) inidôneas. Se isso acontecer, para o país".

Ele não foi o primeiro a mencionar esse apocalipse, no qual está embutida uma suave ameaça: se a faxina não for contida, o Brasil acaba, pois com essa gente não se deve mexer. O presidente do Tribunal de Contas da União, Augusto Nardes, propôs uma "repactuação" dos contratos que essas companhias têm com a Viúva: "Parece que as empresas estão demonstrando boa vontade, todas elas ajudando, estão se dispondo a devolver recursos, portanto há uma boa vontade". Mais: "Poderíamos repactuar, eles perderiam o que está acima do preço. Como consequência, faríamos economia para o erário". O vice-presidente Michel Temer foi na mesma linha, propondo a "repactuação de eventuais exageros". Falta saber o que Nardes entende por "acima do preço" e o que Temer define como "exageros".

Como até hoje nenhuma empreiteira, salvo a Setal, reconheceu ter delinquido, parece até que a delinquência é da Polícia Federal, do Ministério Púbico e do Judiciário. A "repactuação" só pode começar pactuando-se a verdade. Se de fato houve uma "denúncia vazia de um criminoso confesso", como disse Marcelo Odebrecht, referindo-se ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, então sua empresa nada tem a ver com a história, merece os devidos pedidos de desculpas e "Paulinho" deve voltar para a carceragem. Se a Camargo Corrêa, a Mendes Júnior e a OAS nunca praticaram atos ilícitos, dá-se o mesmo e nada há a repactuar.

Grandes empresas metidas nas petrorroubalheiras adotaram uma atitude desafiadora, talvez suicida. Tentaram tirar o processo das mãos do juiz Sérgio Moro. Em seguida, fizeram uma discreta oferta de confissão coletiva, rebarbada pelo procurador-geral da República com três palavras: "Cartel da leniência". "Repactuação" pode ser seu novo nome.

As grandes empreiteiras oscilam entre o silêncio e a negativa da autoria. Deu certo até que surgiu o "Efeito Papuda". Não só José Dirceu, o "capitão do time" de Lula, foi para a penitenciária, como as maiores penas foram para uma banqueira (Kátia Rabelo) e um operador de palácios (Marcos Valério). Ocorrido esse desfecho inédito, seguiu-se a descoberta da conveniência de se colaborar com a Viúva em troca da sua boa vontade. Já há dez doutores debaixo desse guarda-chuva e tudo indica que outros virão. As empreiteiras estão rodando um programa vencido.

Quem olha para o trabalho do juiz Moro e do Ministério Público pode ter um receio. Abrindo demais o leque, ele se arrisca a comprometer a essência da investigação. Como ele tem conseguido preservar sigilos, pode-se ter a esperança de que o principal objetivo da operação é ir de galho em galho, para chegar ao topo da árvore.


Venezuela se desmancha em 15 anos de chavismo

O Globo

A Venezuela encerra o 15º ano do ciclo chavista. A cada dia, a situação do país — lucrativo mercado para empreiteiras brasileiras — se torna mais crítica política, social e economicamente. A inflação, acima dos 63% anuais, tende a avançar para o patamar dos três dígitos, aguçando o conflito social. O declínio de 25% no preço do petróleo aprofunda a crise (Chávez assumiu com o barril a US$ 30, imperou com o óleo a US$ 140 e hoje o país não consegue sequer comprar alimentos com a cotação a US$ 80.) A Venezuela, que depende do petróleo para 96% da receita de exportações, virou um pária internacional — sobretudo em direitos humanos, com a oposição encarcerada —, e o governo imerso em corrupção.

A população enfrenta a cada vez mais aguda falta de produtos alimentícios e essenciais, por conta da escassez de divisas para as importações. A disparada de quase 30% do dólar no paralelo torna os produtos importados inacessíveis para uma vasta parcela da população. Os ricos continuam comprando o que lhes apraz no exterior. A criminalidade e a violência dispararam. O caos social não está longe.

A colunista Marianella Salazar resumiu a situação, no jornal “El Nacional”, de Caracas. “Não há fraldas para os anciãos nem é possível tratar doentes terminais de câncer e outras enfermidades por falta de remédios, mas o governo destina dólares para importar pinus canadense e enfeites para árvores de Natal. É um absurdo”.


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Osmar perde vaga no Ministério para Kátia Abreu

Não adiantou colocar as barbas brancas ao vento no segundo turno da eleição presidencial, percorrendo o Paraná em busca de votos para sua patroa Dilma Rousseff – ele é diretor do Banco do Brasil e, portanto, submisso a ela.

O ex-senador Osmar Dias (PDT) terá de adiar, mais uma vez, seu já tantas vezes adiado sonho de ocupar o Ministério da Agricultura.

A eleita para o cargo – informa a Folha de S.Paulo – é a senadora Kátia Abreu (PSD), presidente da Confederação Nacional da Agricultura. Ela é recompensada, assim, por sua mudança de lado – de crítica, transformou-se em ardorosa defensora do Planalto.

Resta a Osmar, o fiel e paciente, esperar. Sua vez, quem sabe, um dia há de chegar.

Estrangeiras viram opção para grandes obras

Executivos e advogados discutem e já até organizam seminários para tentar prever como o cenário de infraestrutura será afetado pela Operação Lava-Jato. Apesar das incertezas, ao menos um ponto é consenso: é considerada exagerada a tese de que o país "pararia" caso as grandes empreiteiras recebam um selo de inidoneidade (algo alarmado nesta semana pelo presidente do Tribunal de Contas da União, Augusto Nardes). Caso os grandes grupos tenham que ficar de fora das novas licitações, o país pode facilitar a atuação de outras empresas no mercado de engenharia e construção para continuar a contratar grandes obras. A informação é do Valor Econômico.

O entendimento dos especialistas é que, no caso de uma declaração de inidoneidade, governo e empresas não precisam interromper obras. Segundo Bruno Werneck, do escritório de advocacia Mattos Filho, os contratos suspeitos podem ser suspendidos de forma isolada pelo poder público. Ou, ainda, terem preços repactuados. Mas o efeito da inidoneidade, na verdade, é o impedimento de as companhias disputarem futuras licitações. Ou seja, a barreira diz respeito a novas obras.


A inidoneidade é interpretada como medida extrema, e só seria tomada após ser concedido espaço ao contraditório e à ampla defesa - o que levaria ao menos um ano e ainda poderia ser alvo de discussões na Justiça. No caso das empreiteiras investigadas, as justificativas mais prováveis para essa penalização são as práticas de cartel e superfaturamento.

Em um cenário extremo - caso todas as envolvidas nas investigações da Lava-Jato (Odebrecht, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, UTC, OAS, Engevix e Galvão Engenharia) sejam realmente declaradas inidôneas - o país ainda teria alternativas.

"As grandes empresas hoje são integradoras, muitas apenas gerenciam outras empreiteiras. São gestoras de obras. Que elas têm expertise, não há duvidas. Mas há várias outras empresas que executam obras e que podem fazer interface com outras empresas e com o setor público", diz Cláudio Frischtak, da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios.

Há mais de dez empresas de engenharia e construção que atualmente não constam como alvo das investigações e que têm receita líquida superior a R$ 1 bilhão no Brasil. Entre elas, estão Andrade Gutierrez, Carioca Christiani-Nielsen Engenharia, Construcap, Contern, Somague e MPE.


O que causa dúvida é quantas dessa empresas têm expertise e capacidade financeira para tocar grandes obras. A empreiteira deve ter disponibilidade de caixa - pois, no caso de contratos públicos (por meio da Valec, por exemplo), o governo federal costuma fazer os desembolsos às construtoras à medida que a obra é feita, e não antecipadamente. Ainda assim, a exigência de recursos próprios não são considerados tão expressivos em grande parte das vezes.

Apocalipse, agora

Fernando Gabeira – O Estado de S.Paulo

Passada uma semana do juízo final, ainda me pergunto cadê a Dilma. Ela disse que as contas públicas estavam sob controle e elas aparecem com imenso rombo. Como superar essa traição da aritmética? Uma lei que altere as regras. A partir de hoje, dois e dois são cinco, revogam-se as disposições em contrário.

Os sonhos de hegemonia do PT invadem a matemática, como Lysenko invadiu a biologia nos anos 30 na Rússia, decretando que a genética era uma ciência burguesa. A diferença é que lá matavam os cientistas. Aqui tenho toda a liberdade para dizer que mentem.

Cadê você, Dilma? Disse que o desmatamento na Amazônia estava sob controle e desaba sobre nós o aumento de 122% no mês de outubro. Por mais cética que possa ser, você vai acabar encontrando um elo entre o desmatamento na Amazônia e a seca no Sudeste.

Cadê você, Dilma? Atacou Marina porque sua colaboradora em educação era da família de banqueiros; atacou Aécio porque indicou um homem do mercado, dos mais talentosos, para ministro da Fazenda. E hoje você procura com uma lanterna alguém do mercado que assuma o ministério.

Podia parar por aqui. Mas sua declaração na Austrália sobre a prisão dos empreiteiros foi fantástica. O Brasil vai mudar, não é mais como no passado, quando se fazia vista grossa para a corrupção. Não se lembrou de que seu governo bombardeou a CPI. Nem que a Petrobrás fez um inquérito vazio sobre corrupção na compra de plataformas. A SBM holandesa confessou que gastou US$ 139 milhões em propina.

E Pasadena, companheira?

O PT está aí há 12 anos. Lula vez vista grossa para a corrupção? Se você quer definir uma diferença, não se esqueça de que o homem do PT na Petrobrás foi preso. Ele é amigo do tesoureiro do PT. A cunhada do tesoureiro do PT foi levada a depor porque recebeu grana em seu apartamento em São Paulo.

De que passado você fala, Dilma? Como acha que vai conseguir se desvencilhar dele? A grana de suas campanhas foi um maná que caiu dos céus?


Crise fiscal chega ao Bolsa Família

Reajuste anual do benefício está descartado por ora para permitir que o governo retome o controle dos gastos públicos. Pois é... quem é mesmo que adotaria, se eleito, "medidas impopulares"?

BRASÍLIA - Na tentativa de recuperar a confiança dos investidores, a presidente Dilma Rousseff quer anunciar o mais rapidamente possível um pacote de medidas na área fiscal, mirando 2015. Segundo técnicos, para fazer uma economia de gastos equivalente a 2% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país), várias ações estão no radar da equipe econômica. Entre elas, mais contingenciamento e a não renovação das desonerações que vão vencer no próximo ano. A informação é de O Globo.

Para segurar gastos, o governo deverá adiar a contratação de novos servidores públicos, bem como congelar salários e autorizar somente os aumentos programados. Benefícios como Bolsa Família não deverão ser reajustados e seguro-desemprego superior ao salário mínimo só deverá ter a reposição da inflação. A volta da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide, que incide sobre combustíveis) não está descartada, diante da queda no preço do petróleo e derivados no mercado internacional.

Na avaliação de uma fonte, diante das dificuldades do governo em ajustar as contas públicas pelo lado do corte de gastos, a arrecadação se apresenta como a via mais fácil. O fim das desonerações e a volta da Cide, um imposto já existente, são as alternativas. Não há muita margem para diminuir despesas no Orçamento e o contingenciamento tem atingido mais o custeio com a máquina, já que o Executivo tem evitado reduzir investimentos e mexer nos programas sociais.




Haddad delega ao MTST controle sobre Minha Casa, Minha Vida


Folha de S.Paulo

Os movimentos de sem-teto de São Paulo conseguiram da prefeitura um trunfo capaz de fazer inveja a muitos grupos desse gênero Brasil afora: o direito de indicar quais famílias ocuparão 20% das 55 mil unidades habitacionais que a gestão de Fernando Haddad (PT) prometeu entregar até 2016.

A fatia corresponde às 11 mil residências que serão erguidas por meio do Minha Casa, Minha Vida Entidades. Nessa modalidade, as organizações sociais se responsabilizam pela construção dos imóveis; em troca, podem acrescentar aos termos do programa federal de moradia popular as condicionantes que bem entenderem.

Garante-se, pelo menos isso, que as unidades sejam distribuídas entre as famílias carentes e que se respeite a prioridade a pessoas desabrigadas e a quem vive em áreas de risco ou locais insalubres.

Observados esses critérios, os líderes desses movimentos escrevem suas cláusulas particulares. É aí que entra, por exemplo, a pontuação atribuída pelo envolvimento em protestos ou invasões. Os mais participativos veem aumentar suas chances de receber a casa nova, mesmo que nem sequer estejam alistados na fila da prefeitura.


Organizações de sem-teto ganham, dessa forma, evidente poder de atração. Registrar presença em manifestações passa a ser tão ou mais recompensador do que se inscrever no cadastro municipal.