TRIBUNA SOFT

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A rádio do jeito que você gosta

sábado, 20 de setembro de 2014

Eu abomino as trevas

Nilson Monteiro (*)

A frase dita ontem pela presidente Dilma – “Não é função da imprensa investigar” – é de um obscurantismo tão brutal que custa a qualquer ser pensante, especialmente se for jornalista, acreditar.

Equivale aos ensinamentos de Golbery do Couto e Silva e decorados por todos seus seguidores durante a ditadura de que estudante era para estudar, sindicalista pra trabalhar, cantor para cantar etc.

Fiquei pasmo. Como devem ter ficado os sindicatos da categoria (a maioria ligada à CUT), os dirigentes da Fenaj, os profissionais que aprenderam que nesta profissão esperar o prato feito equivale a virar ventríloquo.

Fiquei pensando se durante as atrocidades da ditadura, das quais inclusive Dilma foi vítima, os jornalistas deveriam esperar a versão oficial, mansos e cordatos ao que nos contavam as fontes investigadoras. Dilma parece ignorar o papel significativo que tiveram jornais como O Estado de S. Paulo (hoje considerado pelos “justiceiros” como Imprensa Golpista) quando noticiava, mesmo em minúsculas notas, o movimento guerrilheiro no Araguaia, os assassinatos de militantes, em meio a receitas de bolos etc. Será que os jornalistas teriam que esperar os organismos oficiais darem a sua versão para os fatos?

Será que os repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein, do Washington Post, teriam que esperar a versão oficial do Watergate e deixar Richard Nixon flanando, sem renunciar em 1974, com as mãos pesadas de culpa?

Será que eu, nos anos 70, trabalhando no jornal Movimento, em São Paulo, não poderia investigar quilos e quilos de documentos que incriminavam Paulo Maluf, então candidato a Presidente e hoje, aliás, aliado de Lula? E as denúncias não poderiam ser publicadas pelo jornal, que o fez em estilo até exagerado?

Será que os repórteres da Gazeta do Povo/RPCTV, autores da série de reportagens “Diários Secretos”, que desvendou irregularidades na Assembleia Legislativa e que gerou 15 condenações, teriam que aguardar as investigações da Policia, do Ministério Público, de quem quer que seja?

Deveriam responder/opinar sobre esta versão do obscurantismo proclamada por Dilma, por exemplo, Élio Gaspari, que escancarou as mazelas da ditadura sem pedir licença, o grande repórter Mauri Konig, o meu amigo Ricardo Kotscho, Caco Barcellos, Joel Guimarães, Palmério Dória, José Antônio Severo, Geneton Moraes Neto, Raimundo Pereira, Tonico Ferreira, Matias Molina, Eliane Catanhede, José Hamilton Ribeiro, Roldão Arruda e outros e tantos. Deveriam também se manifestar a Fenaj, os sindicatos nos Estados e nos municípios, a categoria e a sociedade brasileira.

Eu abomino as trevas!


(*) Jornalista, escritor, baiano naturalizado paranaense – estado que lhe concedeu a cidadania honorária – e o mais recente membro da Academia de Letras do Paraná

Ibope aponta chance maior de Beto vencer no 1º turno

A pesquisa Ibope divulgada ontem aumenta a chance de o governador Beto Richa decidir a disputa em turno único: ele tem quatro pontos a mais que a soma de seus adversários.

Beto aparece com 47% das intenções de voto, Roberto Requião (PMDB) com 30% e a petista Gleisi Hoffmann – tadinha! – com 12%. Ogier Buchi (PRP) é o único dos nanicos que conseguiu pontuar – tem 1 ponto.

O governador ganhou três pontos em relação à pesquisa anterior e Requião afanou dois de Gleisi. Ou seja, seus dois principais adversários ficaram onde estavam enquanto ele avançou.

Chama a atenção na pesquisa – e este é outro dado animador para ele – a baixa rejeição do governador – 15%. Requião, que era o líder nesse quesito, foi ultrapassado – tadinha de novo! pela petista: 23% X 24%.

Outro dado animador para Beto: a duas semanas da eleição, os indecisos são apenas 5%.

O quadro eleitoral, portanto, está praticamente consolidado. Somente um terremoto poderá mudá-lo.

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O Ibope entrevistou 1.204 eleitores, em 67 municípios, entre 16 e 18 de setembro, por encomenda da Sociedade Rádio Emissora Paranaense S/A. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR-00685/2014.

“Requiescat in pace”, Gleisi

Impressionante, inacreditável, espantoso, surrealista, espasmódico, tonitruante, acabrunhante. Sobram adjetivos, embora todos, somados, não sejam capazes de expressar com precisão o fracasso retumbante (opa, mais um!) da senadora e ex-ministra Gleisi Hoffmann na corrida pelo Palácio Iguaçu.

A ex-todo-poderosa chefe da Casa Civil, segundo posto na hierarquia do Executivo federal, e "soldada" do Planalto no Senado, está caminhando celeremente para o nanismo político. A grande aposta do PT em geral e de Lula em particular - ele esteve nos quatro (!) “lançamentos” da campanha dela, em Curitiba -, revelou-se um mico.

Gleisi Mico Hoffmann. Não exclamarei “rarara!” como faria o Macaco Simão, em respeito à dor que o abandono do eleitorado à sua proposta de “um Paraná melhor” (ou algo assim) deve estar lhe provocando. A dor causada pelo insuportável peso de não ser.

Ela começou muito mal a campanha e todo o marketing mirabolante levado ao ar, com o refinamento que somente o dinheiro farto pode proporcionar, só piorou as coisas. A pesquisa Ibope (*) divulgada ontem equivaleu à sentença de morte de seus sonhos.

Faltando duas semanas para a eleição, e eis o que o Ibope mostra: Gleisi Mico Hoffmann não apenas perdeu dois pontos preciosos – pontos transferidos para seu companheiro de ideário bolivariano Roberto Requião – como foi catapultada para o topo do pódio da rejeição!

Gleisi caiu de 14 para 12 pontos na intenção de votos e foi a 24 na rejeição. O dobro!

Burilada física, politica e marqueteiramente para encarnar o projeto de PT de avançar sobre os redutos tucanos, Gleisi transformou-se no mais rejeitado dos candidatos ao Palácio Iguaçu. Que traição do destino! Ela supera até o raivoso e coicento (economizarei adjetivos para poupar transtornos jurídicos) Requião, o colecionador de cavalos – e de tombos cavalares (vídeo disponível na internet mostra um, hilário!)

Faltam duas semanas para a eleição... quem sabe mais uns três ou quatro “lançamentos”, com a presença de Lula, Dilma, Zé Dirceu, André Vargas, Eduardo Gaievski  e do maridão Paulo Bernardo – defenestrado de sua campanha logo depois de assumir sua coordenação  -, desperte o eleitor para a inefável presença de Gleisi na disputa eleitoral...

Afinal, a esperança é a última que morre. E a data do seu sepultamento está determinada: 5 de outubro.

Antecipo-me, contudo, aos fatos, e expresso minhas condolências à finada e à sua enlutada famiglia petista:

Requiascat in pace, Gleisi

(*) O Ibope entrevistou 1.204 eleitores, em 67 municípios, entre 16 e 18 de setembro, por encomenda da Sociedade Rádio Emissora Paranaense S/A. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR-00685/2014.


Uma pergunta impertinente sobre o “erro” do IBGE

O IBGE errou o conteúdo da pesquisa sobre renda – apontando a ocorrência de maior concentração e, portanto, distância entre ricos e pobres durante o governo Dilma – ou foi obrigado a admitir o “erro”?


Sob o regime petista, todas as hipóteses escabrosas são pertinentes.

A onda da razão ganha força?

Ascensão de Aécio Neves anima os tucanos e aumenta a crença no PSDB de que a escolha racional prevalecerá sobre o voto da emoção na reta final das eleições

Ludmilla Amaral - Istoé

O movimento do eleitorado nos últimos dias provocou uma renovação de ânimo nos principais líderes tucanos e reforçou um discurso adotado pelo candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, desde o início do mês. O presidenciável tem insistido na tese de que ainda há tempo para envolver o eleitor numa espécie de “onda da razão” e alcançar o segundo turno das eleições. 

Pesquisas internas do PSDB mostram que a distância que o separa de Marina Silva, candidata do PSB, estaria entre 8 a 10 pontos percentuais e que esse movimento de retorno dos votos obtidos anteriormente por Aécio começou a ocorrer no Rio de Janeiro, passou por Minas Gerais e pode chegar a São Paulo, maior colégio eleitoral do País. Os levantamentos internos do PSDB foram corroborados pelo Ibope, divulgado na semana passada. De acordo com a pesquisa, Aécio saltou de 15% para 19% num intervalo de apenas quatro dias.


Entusiasmadas com a subida do presidenciável tucano, socialites se reuniram com Aécio na segunda-feira no Diretório do PSDB em São Paulo. No encontro, condenaram o voto útil em Marina pregado por setores da legenda. “Ainda temos 18 dias até a eleição. Se o Aécio encostar em Dilma, ele ganha. Esta eleição é de oposição ao PT”, disse a relações-públicas Regina Martinez. 

A expectativa na campanha do PSDB é de que encontros como esse sejam reproduzidos nos Estados. Para recuperar os eleitores perdidos nas regiões em que tem mais potencial de voto, como no Sudeste e no Sul do País, Aécio irá intensificar as viagens a essas regiões nos próximos dias. 

O tucano também permanecerá empenhando seus esforços em criticar o atual governo e em mostrar a semelhança de Marina Silva (PSB) com o PT. Na tentativa de desvincular Marina da imagem de mudança tão aclamada pelos brasileiros, Aécio enfatizará nas entrevistas e nos programas de televisão a semelhança dela com o PT e sua militância durante 20 anos de partido, incluindo o fato de ela ser filiada ao partido de Lula quando o escândalo do mensalão eclodiu e ter tido posição contrária ao Plano Real e à Lei de Responsabilidade Fiscal quando era parlamentar pela sigla da presidenta Dilma. A intenção é carimbar a candidata do PSB de “PT 2”.

Nos Estados, a campanha manterá a toada de colar a imagem de Aécio a de governadores bem avaliados como Marconi Perillo (Goiás), Simão Jatene (Pará), Ana Amélia Lemos (Rio Grande do Sul) e Geraldo Alckmin (São Paulo), que virou a principal aposta do mineiro para liderar isoladamente as pesquisas de intenções de voto no Estado. Nos próximos dias, Alckmin estará mais presente na campanha de Aécio. 

Além de fazer aparições na propaganda nacional do PSDB e ceder tempo para o senador em seu programa, o governador já tem liderado reuniões com os prefeitos de todo o interior de São Paulo para pedir mais engajamento na campanha. “Aécio começa a reagir e é possível que ele alcance uma posição melhor do que tem hoje, se ele intensificar a campanha em São Paulo, Rio e Minas”, avalia o cientista político Gaudêncio Torquato. 

Além de detectar o crescimento nesses Estados, pesquisas internas encomendadas pelo PSDB mostram que Aécio tomou a dianteira no Paraná e em Santa Catarina.


O desespero bate na campanha do PT

Dilma se exaspera após coletiva à imprensa no Planalto, ontem

Um exército de militantes com cargos públicos se organiza para elevar o tom da Propaganda eleitoral de Dilma e evitar um revés na urnas. Até o ex-presidente Lula entra na briga com um discurso mais radicalizado

Izabelle Torres - Istoé

A eventual reeleição de Dilma Rousseff para a Presidência marcaria um recorde na história da República: nunca um partido político terá ficado por tanto tempo no poder. Nem mesmo os 21 anos da ditadura militar, com suas divisões internas e troca de grupos de comando, podem ser vistos com um período de direção partidária única, como seriam os 16 anos da era petista. O estilo da ação e a longevidade do PT no Palácio do Planalto claramente já deixaram marcas na máquina administrativa e política do governo. Ao longo de 12 anos, o número de cargos de confiança, por exemplo, saltou de 17 mil para 22 mil. Este universo de servidores, frequentemente nomeados por critérios políticos, criou uma estrutura de petistas aguerridos e abnegados, cujos salários e encargos fiscais consomem mais de R$ 200 bilhões por ano. Isso não é coisa para se desleixar. O risco de não ganhar as eleições já deixa esses servidores-militantes em desespero. A perda de poder em Brasília – ou, vá lá, da chance de praticarem seus ideais – assusta tanto quanto a perda dos cargos comissionados e a perspectiva de terem de a retornar a seus estados de origem para buscarem novos empregos. Hoje, os DAS (cargos de Direção e Assessoramento Superior) podem passar de R$ 20 mil mensais.

Na sexta-feira 19, Dilma se exaspera após coletiva à imprensa no
Palácio da Alvorada, num clima em que o PT exagera na dose dos
ataques aos adversários na corrida eleitoral

Este clima de tensão entre os servidores-militantes contaminou a campanha eleitoral e pode explicar boa parte do tom da propaganda petista, que passou a adotar o jogo bruto, com ataques exagerados aos adversários e alguma falta de discernimento entre o público e o privado. No início do mês, uma reunião na sede do partido, em São Paulo, se transformou em uma acalorada discussão sobre a participação mais efetiva dos funcionários públicos na eleição. No encontro, líderes do PT cobraram mais empenho de servidores comissionados e os exortaram a ir às ruas em favor da reeleição de Dilma Rousseff. O recado estava implícito. Quem não se mexer, tem o emprego ameaçado. Assim, o PT tem organizado caminhadas pelo País, a exemplo da que ocorreu em Brasília no último dia 13, em que grande parte dos cerca de quatro mil participantes era de funcionários públicos. Atos em prol da candidata do PT, como a reunião com artistas brasileiros, no último dia 15, viraram palcos quase exclusivos de ataques a adversários. Dilma aproveitou a oportunidade para, em tom agressivo, repetir diversas vezes que as propostas de Marina Silva, candidata do PSB, apresentariam riscos ao País. No mesmo dia, o exército de internautas petistas divulgava nas redes sociais críticas da classe artística à segunda colocada nas pesquisas.

Na semana passada, uma manifestação de homenagem a Petrobras capitaneada pelo ex-presidente Lula ilustrou bem o atual momento da campanha. Suado e descabelado, Lula esbravejou ao pedir apoio dos militantes. Disse que é preciso proteger a estatal contra Marina Silva, afirmando que ela não conhece e não dá importância às riquezas do pré-sal. Antes do evento, em uma reunião rápida com o líder do Movimento dos Sem Terra, José Pedro Stédile, Lula conclamou o antigo aliado a se engajar na campanha. A resposta veio rápida. Em entrevista, na segunda-feira 15, Stédile prometeu realizar invasões e fazer protestos diários, caso Marina vença a eleição. No comitê da candidata do PSB, a ameaça virou piada. “Entendo o temor deles, que vão ficar sem empregos”, respondeu o coordenador do comitê financeiro do PSB, Márcio França.



Dilma massacra Marina... e ambas ficam no mesmo lugar

Reinaldo Azevedo – Veja

Se a eleição fosse hoje, segundo o Datafolha, a petista Dilma Rousseff teria 37% dos votos, contra 30% de Marina e 17% do tucano Aécio Neves. No Ibope de dois dias antes, esses números eram, respectivamente, 36%, 30% e 19%. Em ambos os institutos, 7% não sabem, e 6% dizem que votarão nulo ou em branco.

Quando se olha a curva do Datafolha, pode-se ter a impressão de que Dilma está numa ascensão meteórica, e Marina numa queda brutal. Pois é… Há um mês, quatro dias antes do início do horário eleitoral, a petista tinha 36%; agora, tem 37%. A peessebista tinha 21%; agora, 30%. Aécio tinha 20% e aparece com 17%. Podemos dizer isso de outro jeito: desde a queda do avião que conduzia Eduardo Campos, é agora que Dilma obtém a sua melhor marca: 37%. Acontece que a sua pior era 34% — a oscilação está na margem de erro. Marina, nesse período, tem agora o seu pior desempenho: 30% — mas o seu melhor era apenas 34%.

Segundo o Datafolha, Aécio pode ter recuperado eleitores que tinham migrado para Marina já no primeiro turno.


(...) a pancadaria que o PT promoveu contra Marina, com lances explícitos de baixaria, não conseguiu tirá-la do jogo. Hoje, os números indicam que as candidatas do PT e do PSB disputarão o segundo turno. Até agora, o tempo gigantesco de que dispõe a presidente-candidata não pôde fazer nada por ela (...) nem aumentou a sua votação nem diminuiu a sua rejeição. Qualquer um que dispute com a petista a etapa final terá, finalmente, tempo para confrontá-la.

Erro 'grosseiro' coloca em perigo a reputação do IBGE

Instituto revisou os cálculos da Pnad após detectar problemas nas projeções de amostragem; com isso, mudaram os indicadores de desigualdade, analfabetismo e o cálculo da renda média dos brasileiros

Veja online

O erro cometido pela equipe de técnicos que elabora a Pesquisa Nacional por Amostragens de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), coloca em risco a reputação do instituto e a confiança nos dados da própria pesquisa, realizada há 30 anos. O IBGE informou que a Pnad referente ao ano de 2013 foi publicada com erro no cálculo do peso de algumas regiões, o que resultou na divulgação de indicadores incorretos. Um deles é o índice de Gini, que mede a desigualdade, que teve de ser alterado. Fosse o erro uma exceção nos institutos de pesquisa ao longo dos últimos anos, o incidente atual não causaria tanto alarme. Ocorre que a Pnad acaba de ser revisada na sequência de outras confusões que envolvem os órgãos de estatísticas do país. A credibilidade do IBGE está em jogo, assim como a dos dados oficiais que por ele são divulgados, como o de desemprego, inflação e desigualdade.

Economistas ouvidos pelo site de VEJA classificam o erro como "grosseiro" e "primário" quando se trata de um órgão cuja única função é prover dados oficiais sobre o Brasil. Em abril, uma crise institucional foi instaurada no IBGE quando a presidente, Wasmália Bisval, afirmou que a Pnad Contínua, que calcula, entre outros índices, o de desemprego, teria sua metodologia revisada a pedido de senadores petistas. A Pnad acabara de divulgar que a taxa de desemprego de 2013 havia sido maior que a calculada pelo instituto no âmbito da Pesquisa Mensal de Emprego (PME). A possibilidade de revisão fez com que houvesse uma ameaça de debandada de técnicos da Pnad. Na sequência, uma greve teve início e foi capitaneada, justamente, por aqueles que apuravam a Pnad.

No Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), algo similar ocorreu em levantamento divulgado em março deste ano, que mostrava que 65% dos brasileiros concordariam total ou parcialmente com a ideia de que mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas. O dado correto, divulgado posteriormente, era de 26%. Reportagem do site de VEJA aponta que, além de divulgar o número incorreto em abril, o instituto também engavetou um estudo importante que mostra que a concentração de renda aumentou. A tese, curiosamente, contraria o discurso recorrente dos governos petistas. O exemplo do IBGE apenas piora a situação.

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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Dilma: “Imprensa tem de informar e não investigar”

BRASÍLIA — A presidente Dilma Rousseff disse que vai pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) acesso ao depoimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa dentro do processo em que ele é beneficiado pela delação premiada. Enfática, Dilma disse que "não é possível" a imprensa ter informações e que, como presidente da República, não pode tomar providências com base no "disse me disse". A petista disse que vai fazer o pedido ao ministro Teori Zavascki, que é o relator do caso no STF. Para a candidata, o papel da imprensa "não é de investigar e sim de divulgar informações".

Ibope consolida possibilidade de vitória de Beto no 1º turno

 A terceira pesquisa Ibope divulgada hoje sobre a corrida ao Palácio Iguaçu mostra o governador Beto Richa (PSDB) na liderança com 47% das intenções de voto.

O senador Roberto Requião (PMDB) tem 30% dos votos. A petista Gleisi Hoffmann aparece com 12%.

Os candidatos menos cotados somam 2% juntos.

Votos nulos ou brancos totalizam 4% e indecisos, 5%. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. A confiabilidade é de 95%.


Beto tem 3% dos votos a mais que seus concorrentes somados, o que indica a possibilidade vitória no primeiro turno, já apontada em pesquisas anteriores.

Cumprindo o que termina a lei, informamos:

O Ibope entrevistou 1.204 eleitores, em 67 municípios, entre 16 e 18 de setembro, por encomenda da Sociedade Rádio Emissora Paranaense S/A. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR-00685/2014.

A vaca e o brejo

Merval Pereira – O Globo

Como não existe almoço de graça, a conta começou a chegar. O resultado da Pesquisa Nacional de Amostragem de Domicílios (PNAD) referente a 2013 mostra  aumento da desigualdade de renda, que  estava estagnada em 2011 e 2012, e aumento do desemprego no país, o que não acontecia desde 2009.

Os críticos da atual política econômica se utilizam de uma definição sarcástica, em linguagem vulgar, para relacionar a crise que vivemos com a sucessão presidencial. Se referindo ao governo Dilma, dizem que “não há dúvida de que a vaca está indo para o brejo. A questão é saber a distância do brejo e a velocidade da vaca”.

Isto é, os resultados negativos desses quatro anos de desaceleração econômica são inevitáveis, o que não se sabe é se sua concretização no dia a dia do eleitor se dará a tempo de afetar a possibilidade de reeleição da presidente, ou se os efeitos perversos do baixo crescimento dos últimos anos, com inflação em alta, só se farão sentir num próximo governo, talvez com a própria Dilma à frente.




Correios entregam panfletos de Dilma em SP

Estatal comandada por petistas abre ‘exceção’ e deixa de exigir chancela para auditar quantidade de material distribuído

O Estado de S.Paulo

Os Correios abriram uma exceção para o PT e distribuíram em São Paulo panfletos da presidente Dilma Rousseff sem chancela ou comprovante de que houve postagem oficial. A estampa, prevista em norma da própria estatal, serve para demonstrar que houve pagamento para o envio, de forma regular, da propaganda eleitoral. Sem ela, é difícil atestar que a quantidade de material distribuído corresponde ao que foi contratado pelo partido. O número declarado de panfletos distribuídos sem chancela dos Correios foi de 4,8 milhões.

A exceção para os petistas foi aberta a partir de um comunicado interno dos Correios em São Paulo, no qual a empresa autoriza, em caráter “excepcional”, a postagem dos folders na modalidade de mala postal domiciliária (MPD). A Diretoria Regional Metropolitana, responsável pelo aval, atribui a medida a um problema na impressão dos quase 5 milhões de peças. O órgão é chefiado por Wilson Abadio de Oliveira, afilhado político do vice-presidente da República, o peemedebista Michel Temer.

A distribuição dos panfletos regionalizados sem estampa oficial fez parte dos carteiros se rebelar, ameaçando não entregá-los. Além disso, motivou denúncia das entidades que os representam à Justiça Eleitoral, que cobrou explicações à estatal.

Os Correios são controlados pelo PT desde dezembro de 2010, com a nomeação por Dilma do sindicalista Wagner Pinheiro para a presidência da empresa. Ex-presidente da Petros, o fundo de pensão dos funcionários da Petrobrás, Pinheiro é filiado ao PT do Rio De Janeiro.


Anota este blogueiro: os Correios são subordinados ao Ministério das Comunicações, chefiado pelo também petista Paulo Bernardo.

Console-se, dona Gleisi: André Vargas foi ainda pior

A petista Gleisi Hoffmann, apontada há alguns meses como a favorita para vencer a disputa pelo governo do Paraná, está colhendo módicos 10% das intenções de voto em todo o Estado.

O resultado é ainda mais acachapante se comparado à rejeição – 20% (os dois números referem-se à última pesquisa Datafolha).

Ela foi secretária de Gestão do município de Londrina em 2002, na primeira administração do companheiro de partido Nedson Micheleti (requiescat in pace). Entrou no governo assim que seu companheiro conjugal Paulo Bernardo retirou-se para disputar o terceiro mandato de deputado federal. Bernardo foi secretário de Fazenda. Londrina era sua base eleitoral.

Era de se esperar, portanto, que Londrina, onde Gleisi exerceu uma função executiva, soubesse corresponder às qualidades de gestora que ela arvora possuir.

Pois pesquisa divulgada hoje pelo instituto Multicultural e restrita a Londrina pisoteia essa possibilidade, dando a Gleisi míseros 6% de votos!

Mantendo-se essa tendência, Gleisi poderá ao menos se ufanar de ter tido um desempenho melhor que seu até há pouco companheiro de partido e coordenador de sua campanha, André Vargas, que em 2008 tentou suceder Micheleti e obteve... 5% dos votos!


Console-se, dona Gleisi.

Gleisi, a versão paranaense de Padilha

Gleisi & Padiha: frustração em dose dupla
Josias de Souza – UOL

A senadora Gleisi Hoffmann foi à disputa pelo governo do Paraná como uma das mais sólidas unanimidades do PT. Todos apostaram alto no desempenho dela, a começar por Lula e Dilma Rousseff. O Datafolha indica que faltou combinar com o eleitorado. A 17 dias da eleição, Gleisi virou uma versão paranaense de Alexandre Padilha, candidato do PT ao governo de São Paulo.

Os dois deixaram os respectivos ministérios —Saúde e Casa Civil— para medir forças com rivais tucanos: Beto Richa (44%), no caso de Gleisi (10%); Geraldo Alckmin (49%), no caso de Padilha (9%). Ambos foram superados por aliados do PMDB. No Paraná, é o veterano Roberto Requião (30%) quem polariza com Richa. Em São Paulo, é o seminovo Paulo Skaf (22%) quem ameaça impor um segundo turno a Alckmin.

Estacionada, Gleisi começa a ser desligada da tomada pelo petismo federal. Quanto a Padilha, Lula espera pelo menos empurrá-lo para patamares mais próximos do histórico do PT. Já não espera uma vitória. Mas vai tentar reduzir o tamanho do estrago.


Ação do PT pode manter direitos políticos de Vargas

O STF pautou para a próxima terça-feira o julgamento do processo em que o PT pede a perda do mandato do deputado André Vargas – surpreendido no início do ano pela Polícia Federal em negociações nada republicanas com o doleiro Alberto Yousseff.

Vargas desfiliou-se do partido após a eclosão do escândalo e, por isso, o PT reivindica a cadeira dele na Câmara.

A relatora do processo é a ministra Luciana Lóssio.

O acolhimento do pedido do PT é tudo o que Vargas poderia esperar: ele perderá o mandato antes de a Câmara decidir sobre o pedido de cassação feito pela Comissão de Ética. E, assim, conservará os direitos políticos.

Vargas, conhecedor de grandes segredos, deixou o PT. Mas o PT não o abandona jamais...



Planalto deve R$ 10 bi ao Minha Casa, Minha Vida


Veja online

Recém-ampliado pela presidente e candidata Dilma Rousseff, o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida acumula contas em atraso que ficarão para o próximo governo.

Em razão de pagamentos insuficientes desde a criação do programa, em 2009, o Tesouro Nacional acumulou compromissos a pagar de R$ 10 bilhões em subsídios e outras despesas.

Equivalente a cinco meses de Bolsa Família, o montante pode crescer até o final do mandato de Dilma. O Orçamento deste ano prevê gastos de R$ 14,8 bilhões, mas os desembolsos programados até agora somam R$ 10,3 bilhões.

A principal inovação do Minha Casa é uma ambiciosa oferta de subsídios para os financiamentos habitacionais destinados à população de baixa renda. A despesa, porém, não tem cabido no caixa federal.

Maior responsável pelos financiamentos, a Caixa Econômica Federal precisa receber do Tesouro Nacional o dinheiro que não é cobrado dos beneficiários do programa. A protelação desses pagamentos chegou a gerar uma conta em atraso de R$ 12,9 bilhões em 2011.

Com isso, o governo não consegue executar as novas despesas programadas a cada ano: a maior parte do dinheiro é usada para pagar as contas em atraso.
  

O projeto de Orçamento de 2015 prevê um recorde R$ 18,6 bilhões em novas despesas, e o montante tende a crescer com a decisão de ampliar as metas do programa.

Janot nega a Dilma acesso a delação premiada de Costa

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, rejeitou um pedido da presidente Dilma Rousseff para ter acesso ao conteúdo dos depoimentos do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, que está preso no Paraná e negociou um acordo de delação premiada.

A informação é do jornal O Estado de S.Paulo.

Janot alegou que o caso tramita em sigilo e, portanto, ele não poderia fornecer as informações a Dilma Rousseff. 

Em entrevista concedida ao Estado na semana passada, a presidente disse que desconhecia a existência de um suposto esquema de corrupção na Petrobrás. Ela resolveu pedir para ter acesso ao depoimento, o que foi negado agora.
Em depoimento, Paulo Roberto Costa teria delatado dezenas de congressistas e outras autoridades, que segundo ele, teriam participado do esquema.


Costa diz que recebeu R$ 1,5 mi de propina por Pasadena

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa confessou ter recebido R$ 1,5 milhão de propina durante o processo de compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), segundo o "Jornal Nacional" de ontem.

A compra da refinaria ocorreu em 2006 e resultou num prejuízo de R$ 1,7 bilhão, segundo cálculos do Tribunal de Contas da União.


A revelação faz parte do acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal e a Polícia Federal.